De mãe para filha (I)

Mãe e filhaMuitas vezes parece que o relacionamento entre mãe e filha é mais fácil do que em outras relações: mesmo sexo, muita proximidade, facetas semelhantes, etc. Logicamente, todo este relacionamento depende muito da idade que a filha está atravessando.

 

Aqui, no entanto, vamos nos fixar numa determinada faixa de idade: adolescência e mocidade.

 

É comum pensarmos só na fase que a filha atravessa e esquecermos de pensar na fase da mãe.

 

O lado da mãe, que trabalha fora, muitas vezes é determinante no relacionamento entre elas, onde a filha vê essa mãe preocupada e talvez numa posição egoísta, pensando unicamente em sua profissão e em sua responsabilidade com esse trabalho, “ignorando” as necessidades e dúvidas da filha.

 

Como disse certa vez uma adolescente: “Ela está sempre olhando só para o trabalho e não sabe do que eu preciso e nem sabe se preciso!”.

 

Por outro lado, sua mãe pensava que a busca de uma afirmação profissional e o esforço em permanecer no emprego já demonstraria, por si só, uma preocupação natural com a filha e que, conseqüentemente ela poderia perceber sua boa intenção. Pensar, mas não evidenciar em palavras, talvez seja uma das maiores dificuldades que exista nesse relacionamento.

 

Na fase da adolescência esse perigo é maior porque existe, muitas vezes, um retraimento da filha ao perceber, erroneamente, esse trabalho como um afastamento ou indiferença da mãe. Muitas vezes, a mãe que gasta sua energia no trabalho, gasta poucas palavras num diálogo mal articulado, e pouco profundo.

 

Um outro ponto a ser visto é uma certa frustração que ocorre justamente nessa fase. Com a independência crescente da filha, há uma sensação de perda de controle por parte da mãe, que vê cada vez mais sua necessidade de acompanhar e ser solicitada, diminuir.
Nesse momento, é comum a mãe pensar: “Já não sirvo e não me encaixo mais nesse espaço. Ela consegue fazer tudo sozinha e consegue se virar muito bem!”. A sensação de não servir mais para nada, diminui a auto-estima e, produz muitas vezes afastamento.

 

A filha sempre poderá fazer escolhas sozinha, mas as escolhas certas, poderão sempre ser acompanhadas e assessoradas pela mãe, que mesmo vendo diminuir seu trabalho de educadora não deixará de assessorar e orientar as prioridades na vida de sua filha.

 

Continua em De mãe para filha – Parte 2 …
Artigo publicado originalmente na revista Casal Feliz – Ano XII no.48

 

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6 opiniões sobre “De mãe para filha (I)

  1. Excelente texto! Mostra uma faceta deste relacionamento que muitas vezes não entendemos; eu acho realmente muito importante evidenciar em palavras certos intentos, pois nesta fase, o adolescente pode não ter maturidade suficiente para compreender certas responsabilidades.

  2. Oi Marilena,

    Adorei o texto, parabens !
    Eu que tenho uma filha de menos de 2 anos já sinto muito essa culpa e olha que ela nem fala direito, mas já sabe exatamente como mostrar insatisfação quando saio para trabalhar, reclamando atenção …
    Vou continuar passando por aqui para checar a continuação dos textos.
    Um beijo

  3. Olá… que lindo blog, muito bem feito e com temas ótimos.
    Amo muito tudo que envolva saúde, conflitos emocionais etc. Por isso ano que vem, quero prestar medicina e talvez um dia me especializar em psiquiatria. Tomei a liberdade de linkar seu blog no meu, por inúmeros fatores, desde seus temas e como vc os aborda e até mesmo para manter uma proximidade com pessoas que valham a pena! Um abraço e vou aos poucos lendo o seu blog… Voltarei toda vez que atualizar. E continue escrevendo coisas úteis e diferentes!

  4. Comentário recebido (24/06/2009):
    A resposta não pode ser dada diretamente por erro no endereço de e-mail.
    Tenho filhas adolescentes e nunca tive muito tempo para elas e sempre tentei suprir essa carência com carinhos e caprichos. Sempre dando tudo o que queriam e não impondo limites. Hoje elas não respeitam o pai, as professoras, os amigos e até mesmo os namorados. Começaram a vida sexual bem cedo e já tiveram varios parceiros. Todo estágio que arrumo para elas elas ficam bem uns meses e depois entram em atrito com os superiores, pois são orgulhosas e não respeitam ordens de ninguém. Queria poder consertar meu erro, mais até hoje ainda as defendo mesmo sabendo que levam uma vida desregrada. Qual será o futuro de minhas filhas? Me ajude para que eu possa ajudá-las a serem adultas honesta, fiéis, dignas de respeito dos outros, principalmente dos homens.

    Marilena responde:
    Infelizmente, o que você vive hoje é mesmo consequência de toda a atitude que você teve para com elas na infância. Gostaria que você lesse o artigo sobre “Tempo com Filhos”. Você vai entender exatamente o porquê do comportamento delas hoje em dia.

    Não há muito o que se possa fazer, desde quando você mesma se vê ainda protegendo suas filhas. Sei que isso deve gerar um sentimento de frustação em você, mas leia o artigo sobre “Frustação”, neste blog.

    A proteção demasiada, infelizmente, em vez de proteger, traz consequências como você vê hoje, na vida delas. São incapazes de lidar com a frustração e tornam-se adultos infantilizados. Somente os baques da vida, as decepções e a FALTA dessa proteção sua irão minimizar as consequências mais severas. Sei que parece difícil, mas essa é a única saída e ajuda que você poderá dar a elas.

    Sobre sexalidade de suas filhas, sugira que elas leiam o artigo sobre “Sexo x Conteúdo”.
    Talvez, ajude-as a terem uma visão mais além daquela que atualmente vivem.

  5. As pessoas querem respostas prontas, além de não saberem pesar os cuidados, atenção, limites…

  6. 10/01/2012 Comenário recebido:
    Meu problema com minha filha era bem esse. Eu achava que era ela! Que ela tinha que fazer o que eu faria no lugar dela! Mas, agora tá tudo certo “entendi” isso e estou sabendo administrar!
    Mas, agora, é com meu filho o problema: ele se mandou pro lado da namorada e me deixou de lado, sinto-me “órfão de filho”, pois pra mim ele seria meu guardião eterno quem me defenderia pra sempre isso tá me distanciando cada vez mais dele.

    Marilena responde:
    A situação que você vive com seu filho é mais de aceitação de sua parte em perceber que seu filho está independente e tentando viver esse namoro sozinho.
    Isso por um lado é muito bom, pois ele não é um filho dependente de você, pois isso só o prejudicaria nos relacionamentos. Isso, também, significa que ele já viveu a relação mãe-filho de maneira completa e hoje já está suficientemente seguro para se distanciar de você. Por mais estranho que isso pareça, isto (emocionalmente) é um bom sinal.

    A criança só se distancia da mãe quando se sente segura.
    Esse aparente distanciamente é necessário, mas isso, também, não significa que ele se “esqueceu” de você. Depois dele viver essa fase, ele irá equilibrar os relacionamentos tanto da namorada quanto em relação a você e poderá viver os dois lados de maneira equilibrada.

    Não se preocupe com isso.

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