Artigos de Psicologia

Escritos por Marilena Teixeira Netto

Socorro! Mãe vs. Trabalho vs. Filhos

Trabalho vs. Filhos

Trabalho vs. Filhos

Uma grande diferença de conflitos da geração passada e da atual, é que na anterior, o trabalho não era questionado pelas jovens mães, pois a priori elas já se imaginavam em casa, cuidando dos filhos. A idéia de: “devo trabalhar ou não?” não acontecia.

Atualmente, já está implícito que a mulher termina sua faculdade ou seu curso e que automaticamente irá procurar emprego e prosseguir com ele até o final de sua vida. Imaginar-se sem um trabalho ou emprego e depender do marido para tal, está fora de questão.

O problema e o conflito surge então quando essa mãe decide ter filhos e que, no entanto, a proposta de dedicar-se à educação, sustento emocional, psicológico, construção do caráter, etc … fica delegado ao segundo plano ou delegado às escolas ou creches.

Fica a pergunta que talvez elas nem pensem seriamente nela: Por que ter filhos e para que ter filhos? Vontade de ter bebês que são umas gracinhas, continuação da família, extensão dos pais nesses filhos ou qualquer outra aspiração pessoal é bem vinda, mas não o suficiente em se tratando que essa vida de bebê vai continuar, crescer, depender de orientação, supervisão, dedicação total e absoluta e que, acima de tudo, se trata de uma vida que irá continuar de maneira sã ou não; dependendo daquilo que teve de seus pais.

Será que essa noção de continuidade, de construção e ajuda no aperfeiçoamento da personalidade é visto de uma maneira integral por esses pais e principalmente por essa mãe? Será que essa noção de vida é bem compreendida e percebida por essa mãe?

O trabalho da casa e da educação e acompanhamento dos filhos não são mais vistos como “trabalho”. É desmerecido e  vulgarizado. Um difícil resgate a ser feito…

O questionamento de ser mãe e manter o emprego na maioria das vezes não acontece. O que se pergunta normalmente é : como lidar com a culpa de permanecer nessa dicotomia? Qual a melhor maneira de acomodar a situação de trabalho e filhos minimizando essa culpa?

Passamos então a lidar com o sintoma do conflito, em administrar da melhor maneira esse dilema, na esperança de que psicólogos infantis, professoras, creches e afins possam ajudar  na solução desses sintomas.

A moderna sociedade evoluiu enormemente em diversas  áreas, mas, infelizmente ou felizmente, ainda não se descobriu algum substituto para a família e, principalmente, para a figura da mãe. Na ausência dela, em caso  de morte ou doença, é claro que figuras substitutivas são necessárias, mas não  falo aqui de exceções mas sim do problema que envolve a maioria das mães.

Identificamos então crianças “adoecidas”. Onde o sentimento de abandono é impresso nessas crianças de maneira considerável. Crianças estressadas, cansadas de tanto permanecerem longe de casa ou atarefadas com horários pesados, e como se fossem adultos, correndo de um lado a outro para preencherem uma agenda assoberbada; pois ficar em casa com empregada ou babá não é nada bom e precisam correr atrás do relógio.
 
Crianças que mal têm tempo de brincar em casa gastando tempo com seu brinquedos ou “escolhendo” o que fazer.
Agendas impostas, horários tumultuados, tempo escasso com os pais e afastamento das mães.

Importa que mães modernas tenham a consciência de suas escolhas em relação à maternidade.A busca do equilibrio
Importa que mães modernas saibam das conseqüências de vidas que são lançadas no mundo sem suporte emocional adequado e importa ainda mais que escolham suas prioridades de vida respaldadas numa visão mais abrangente e menos imediatista, formatada pela visão atual desse mundo, onde o padrão de vida muitas vezes aparece em primeiro lugar.

Às futuras mães que necessitam de um emprego para o próprio sustento, que reflitam sobre o momento da escolha de serem mães ou da simples escolha em serem mães.

Crianças saudáveis agradecerão.

Dezembro 12, 2008 - Publicado por Marilena Teixeira Netto | Escolhas, Infância | | 1 Comentário

1 Comentário »

  1. É verdade… Parabéns pelo blog, adorei, li alguns artigos já e simplesmente: PARABÉNS!!! Um beijo e continue escrevendo pq dá gosto de ler…!

    Comment por Ludmila Roumillac | Janeiro 19, 2009


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