Depoimento de uma Mãe

Reproduzimos a seguir uma troca de correspondência com uma mãe e o objetivo é mostrar que algumas simples mudanças de atitude tem resultados imediatos, tanto para a criança como para os pais.

02/02/2011 Comentário recebido:

Meu filho tem cinco anos e iniciou o 1º ano do fundamental I. Está na escolinha desde os 04 meses. Ocorre que ele está muito desobediente e eu estou ficando sem paciência e percebo que ando muito explosiva, grito demais com ele e chego até dar uns tapas no bumbum, esta semana começaram as aulas e desde o primeiro dia vem reclamação dele na agenda, ele não pára de conversar na sala de aula e empurra os amiguinhos, me ajude como devo conversar com ele, estou tão preocupara não quero falar nervosa e nem gritando. Ajude-me, por favor.

Resposta:

Você não relata o tipo de desobediência que ele vem fazendo. Se você se sente nervosa e impaciente, talvez seu filho apenas esteja agindo como um reflexo desse seu estado. Quanto menos paciência você tiver, mais ele irá ficar irrequieto.

Você, também, não relata se tem tido tempo para ficar com ele depois da escola e se ele fica meio período na escola. Tudo isso é fundamental, principalmente, por seu filho ter começado na escola tão cedo, quando o ideal é que a criança vá somente para a escola por volta dos 3 anos, pois antes disso é fundamental a presença da mãe.

O vínculo entre mãe e filho fica fragilizado, refletindo problemas mais tarde como indisciplina. Essa “indisciplina” registra essa lacuna feita anteriormente e a criança tenta “chamar” a mãe com esse comportamento, para que ela fique atenta à criança, mesmo que seja para a mãe brigar; pois nesse momento está havendo contato (não importa a forma).

Retorne, depois, com mais detalhes. Mas, enquanto isso, separe algum tempo significativo com ele, contando estórias, brincando com os brinquedos que ele mais goste. Tempo nessa idade, é superimportante para ele que ainda precisa muito de sua companhia para que tenha um desenvolvimento emocional saudável e equilibrado.

04/02/2011 Retorno da mãe

A desobediência dele é, principalmente, em mexer em tudo o que não pode , eu chamo a atenção dele e ele finge não escutar. Na hora de tomar banho, sai correndo e fica me irritando se esconde debaixo da cama e fala: “Só se você deixar isto ou aquilo”. Na hora de escovar os dentes, ele faz a mesma coisa e sempre antes de ir para a escola e quanto mais eu me irrito ele acha graça, quando saio com ele , não se comporta não para quieto um minuto, mexe em tudo. Antes de sair explico: “Não faz isto ou aquilo,  não mexa… “, etc… Mas, quando chega no local eu até passo mal de tanto que eu o repreendo. As pessoas ficam me olhando e pareço uma boba falando:  Menino senta, não mexe etc… e ele não atende. Esta semana,  numa clinica de olhos, ele estava fazendo exames e dilatou a vista e não parava. Eu chamava a atenção e nada. Uma mulher falou: “Ele é sempre assim?”. E perguntou aá ele se  estava com faniquito. Não gostei, mas… O pai, ele obedece mais rápido. Talvez, eu não, porque eu falo toda hora e grito muito. Na escola ele conversa o tempo todo fala alto  e empurra os amiguinhos na fila a professora chama a atenção dele e ele não obedece.  Hoje ele estuda meio período até dezembro de 2010 era período integral, não tenho tempo para ele , e ele sempre cobra isto de mim, mãe vamos brincar. Eu respondo: “Filho, tenho que fazer isto ou aquilo” e ele agora até fala: “Vou te ajudar para ir mais rápido”.

Quero contar sobre ontem, após ler os seus artigos, por sinal muito bons. Foi esclarecedor ler  os relatos da mães. Pedi à Deus que me desse sabedoria e paciência e prometi que seria um dia diferente.

Quando meu filho acordou fui até o quarto dele e logo ele já falou: “Mãe, conta uma estória?”…  Eu atendi o pedido dele e contei duas e depois fomos tomar café quando ele fez traquinagem eu me vigiei e falei com ele com amor e calma  que não e dei um beijo na testa e ele fez com a cabeça que tudo bem.

Depois larguei tudo que tinha pra fazer e disse: “Filho, vamos brincar de carrinho?”. Brincamos até a hora do banho, nesta hora, quando disse que tinha que tomar banho ele disse não ia, então, eu peguei ele no colo fiz cócegas  falando: “vai sim” e rindo e ele ria muito adorou e tomou banho numa boa. Almoçamos juntos e eu sempre me vigiando. Não deu trabalho para pentear o cabelo e nem trocar de roupa. Na ida para a escola, dentro do carro, ele me chamou e disse: “Mãe, hoje foi muito legal, né?”

Eu perguntei: “O que?” E ele respondeu: “As estórias, brincar… mãe, foi muito divertido”.

Percebi que meu filho quer a minha atenção e que se eu falar com ele num tom carinhoso, baixo, mesmo ele teimando a reação dele será diferente e ontem tive a prova disto. Muito obrigada, obrigada mesmo. Amo muito meu filho e  quero o melhor para ele e para isto eu terei que me mudar primeiro eu.

07/02/2011

Estou muito feliz por ter conhecido seu blog. Ajudou-me muito.

Sexta feira, 05/fev, á noite, eu , meu filho e o meu esposo largamos tudo e fomos  brincar o  jogo da memória. Foi muito legal. Nunca tínhamos feito isto. Os  três juntos, não, geralmente, era só eu e o meu filho. Sábado, larguei tudo e nós dois fomos fazer picnic no parque. Levei uma cesta de lanches, os preferidos dele. Jogamos bola e andamos de bicicleta e quando chegamos  em casa liguei a mangueira e dei um banho nele e ele em mim. Ele adorou, domingo, eu, ele e o papai  ficamos os três juntos na piscina, geralmente, ele fica só enquanto eu e o meu esposo  fazemos as tarefas.

Bom estou tentando. Espero melhorar a cada dia. Obrigada pela atenção  em ler tudo que escrevi  sou muito grata.

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9 opiniões sobre “Depoimento de uma Mãe

  1. Vou ser muito sincera… nunca havia lido um depoimento que me deixasse emocionada…Eu particulamente… sempre procuro dar muito atenção a minha filha de apenas 1 ano e 6 meses….porque isto é muito importante para a criança… principalmente quando ela nao tem com quem brincar… só resta os pais. Espero que você possa continuar sendo assim…pois lhe garanto… seu filho vai melhorar a cada dia. E alem de tudo…a amizade que vai criando entre o pai e filho. Procure dar mais atenção a ele, e mais carinho…. tudo vai se resolver a cada dia melhor.

  2. 12/02/2011 Comentário recebido:
    Confesso que chorei ao terminar de ler seu depoimento. Atualmente estou com problema semelhante com meu filho mais velho (que vai fazer 3 anos). Sei que ele quer atenção. Vou tentar manter mais a calma com ele e brincar mais ainda.

  3. Oh querida mãe!! Difícil não chorar ao ver seu depoimento. E o incrivel é que pensei que era por ser emotiva, mas vi que outras mães sentiram a mesma coisa, vivenciaram ou vivem o mesmo problema. Experimentei como você, orar a Deus e mudar com minha pequena que tem 3 anos. Qdo tive a ultima queixa na creche, o que vinha acontecendo repetidamente, eu perdia a paciência com ela. Nesse dia, eu e meu marido saimos com ela da escola e fomos a pracinha, depois levei-a até uma loja de tecidos e deixei que escolhesse um tecido todo cheio de desenhos, enquanto ela dormia eu costurei uma grande almofada, pois o principal problema dela era na hora do sono, nem ela nem o restante do maternal dormia com os gritos e escandalos que ela fazia. No outro dia, ela foi muito feliz com seu travesseiro novo, passou um dia calma e feliz. No final de semana brincamos, conforme a sugestão dela, de mãe e filha, só que eu era a filha mais velha e a boneca era o bebe enquanto ela era a mamãe. Durante o dia, larguei louça, vassoura, etc. tudo no meio do serviço, sequei as mãos e fui ajudar trocar fralda de boneca, fazer mamadeira de boneca, etc. Mas, a satisfação da minha filha era a melhor recompensa. Sempre teremos casa para cuidar, unhas para fazer, supermercado, etc. , mas nem sempre teremos crianças lindas dependentes de nós… Sei que qdo somos sinceros diante de Deus ele nos orienta como agir, pois só Ele tem amor maior que todas mamães juntas e a maioria dos erros está em nós mesmas. Sou feliz pela vida da DrªMarilena, seu conhecimento sadio, esse site disponivel sempre. Ela ja deve ter meu endereço decorado, pois recorro a ela com frequência e digo que vale a pena. Que Deus abençoe todas mamães com seus pequenos!!!

  4. Você tem toda razão. Basta mudar o nosso comportamento que nossos filhos mudam também. Tenho uma filhinha de 2 anos e ela me procura o tempo todo. Só chama por meu nome, tudo é para mim e realmente tem momentos que perdemos um pouco a paciência. Pra se ter noção, minha filha chorou assustadoramente nos primeiros 4 meses e de vez quando ela tem uma crise de choro tão forte, que parece sentir dor e de repente pára e conversa como se nada tivesse acontecido. Hoje começo entender que tudo é para chamar a minha atenção. Então procuro me dedicar a ela, literalmente, nos momentos livres e venho me policiando nas minhas atitudes, muito parecida com sua história. Vamos lembrar que são fases e que tudo passa.
    Beijos

  5. Nossa gostei de mais ler estes comentarios, como vocês queridas passo pela mesma coisa com meu pequeno de 2 anos e meio. ele não me deixa mais ir trabalhar so querendo que eu fique em casa com ele e com o Pai dele também, estou sofrendo com isso pq precisamos mais sei que ele precisa muito mais.
    As vezes procuro recompensar fazendo a mesma coisa andando de bicicleta com ele, brincando, passeando mais também levo ele pra todos os lugares que vamos nao o deixo com ninguem as vezes levo ate pro serviço aos sabados.
    Sei que nao é facil de jeito nenhum.

  6. Nossa me emocionei com os comentários, que bom que descobri este blog, com certeza o problema que nossos filhos têm são decorrentes das nossas falhas, mas o importante é darmos o primeiro passo pra mudança acontecer. um gde abraço pra todas.

  7. 26/08/2012 Comentário recebido:
    Obs.: Publicamos diretamente aqui, pois a resposta enviada por e-mail retornou por erro de endereço.
    olá, sou mãe de dois meninos, um de 8 e 0utro de 5 anos, e ando -passando pelo momento mais dificil da minha vida. meu filho de 5 anos é autista e ainda não fala, isso acaba deixando-o muito dependente… apesar do autismo ele sempre estudou na escola regular… já sabe cobrir pontilhados com precisão, pinta, conhece e lê as vogais, nunca apresentou problemas na escola ( apesar de não acompanhar as outras crianças na aprendizagem), sempre foi tranquilo, carinhoso, meigo… de um mês para cá ele começou a gritar, como que se estivesse falando, tenta se comunicar, mas os gritinhos saem muito alto e incomoda os professores e coleguinhas… fui chamada na escola para conversar e descobri que ele acaba ficando para fora da sala devido aos gritos… conversamos com a psicóloga dele e ela orientou a não deixá-lo fora da sala, nem reprimir os gritos, e sim sempre perguntar o que ele quer dizer…acontece que a situação ficou insustentável, não consigo mais leva-lo e deixa-lo no colégio, pois sei que ele vai ficar gritando a tarde toda e acaba sendo rotulado, ridicularizado pelos outros pais… essa semana tentaremos deixá-lo numa escola especial ( onde ele já frequentava uma manhã por semana, com fono e psicola), mas sinto medo que ele regrida, pois na escola especial tem crianças bem mais comprometida do que ele, que ainda usam fraldas e tudo mais… o que acontece é que na escola regular ele não está evoluindo no último ano, fica isolado, são muitas crianças na salinha e uma unica professora…pensamos em uma pessoa para acompanhá-lo na sala, mas o custo é alto e é difícil encontrar pessoas para esse tipo de trabalho. enfim, a psicologa acha que será ótimo para ele a escola especial, que ele receberá mais atenção, não será reprimido o tempo todo ( em relação aos gritos), meu esposo é contra pois acha que le irá regredir. já cheguei ao extremo de dar uma chinelada nele em casa, para conter os gritos, mas é uma judiação, ele fica tristinho por uns minutos e depois volta para “conversinha” ardente e alta dele…o que eu faço? como devo agir? em que escola deixá-lo? preciso de orientação, pois estou totalmente indecisa, perdida…

    Marilena responde:
    Você deve conversar com o neuropediatra que o acompanha. No entanto, no momento, parece mais adequado que ele fique na escola especial, pois na escola atual ele não está aproveitando o suficiente.

    Deixe-o na escola especial, mas converse com o neuropediatra sobre o momento dele.

  8. Como gostei deste site! Era o que há muito procurava! Como me ajudou! A dúvida de um, pode ser a dúvida de muitos. Como seria bom se tivéssemos disponível mais atendimento psicológico gratuitos, que os profissionais da saúde fossem mais valorizados e estivessem auxiliando nas escolas públicas!
    Cuidar da nossa psique é vital para evitarmos problemas futuros, tanto no físico, como mental!
    Parabéns pela iniciativa Dra. Marilena!

  9. Também encontrei muitas respostas para minhas duvidas, e até mesmo consolo ao ver que tantas outras mães passam por problemas parecidos…Fiquei comovida com este depoimento, também quase chorei ao ler, tenho duas meninas, e hoje, é muito claro pra mim a questão de que nossos filhos são nossos reflexos..é preciso paciência, auto-controle e dedicação…E eles precisam de nós agora, daqui a pouco crescem e sentiremos tantas saudades…Quando queremos encontramos um jeito, quando não queremos, encontramos uma desculpa…
    Parabéns ao Blog…E às mamães pela iniciativa de procurar ajuda, de mudar para ajudar seus pequenos a serem felizes….

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