Fator Surpresa (Como se reage à surpresa)

Nem todos sabem lidar com o fator surpresa, com o imprevisível, com o inesperado e com sua conseqüência, que é obviamente a frustração.
Desde as menores coisas como o carro que não funciona, a consulta que é desmarcada, a chave que quebra, o namoro desfeito, aumentando: o término do casamento, e… a morte. Acontecimentos difíceis de se “engolir”.

Melanie Klein dizia que viver é resignar-se. Ou seja, é entender e trabalhar bem a frustração e organizar-se a partir desse fator inesperado, dessa surpresa muitas vezes não tão bem vinda assim.

Isto começa na infância, por incrível que pareça. A criança que consegue o que quer, na hora que quer e como quer. É decepcionante muitas vezes, como os pais lidam com isso, facilitando ou não, cedendo aos caprichos ou não. Tudo será um somatório para um futuro reforço em relação a essa dificuldade, de aceitar aquilo que não pode ser conseguido, ou tornou-se impossível.

Essa criança a partir daí, poderá tornar-se um adulto incapaz de lidar com as surpresas e, com as decepções da vida. Mesmo sendo capaz de aceitá-las, precisará aprender a equilibrar-se novamente com esse novo acontecimento.
Isso é visto com freqüência diante de uma aposentadoria forçada ou de uma demissão, onde esse adulto terá de refazer suas expectativas e seus sonhos.

Muitas vezes, nesse intervalo de tempo conflitivo, entra a crise e a depressão, para alertar a falta de estrutura emocional e psíquica que leva à doença, à somatização e à angústia.

Entender que nem sempre o ideal é o real, não significa acomodar-se definitivamente ou deixar de sonhar. Significa adaptar-se da melhor maneira possível àquilo que não pode ser mudado e tentar transformar a perda em algo construtivo e alternativo.
É viver nesse espaço alternativo, de uma maneira madura, real e ao mesmo tempo com uma intensa focalização no “depois”; no como fazer “daqui em diante”. Isto trará uma adaptação mais rápida e saudável.

Essa construção do amadurecer, que começa na infância se faz necessária, principalmente, quando vemos a geração do “tenho tudo que quero” ou “meu pai me dá tudo que peço”.

Muitas vezes esse comportamento surge numa tentativa de não desagradar o filho, por não poder passar muito tempo com ele. A culpa sugere ganhos do lado material. O saber esperar, o saber resignar-se quando necessário, é imprescindível na construção de uma personalidade equilibrada e saudável. O adulto despreparado diante do sofrimento muitas vezes inevitável, desestrutura-se e padece profundamente, chega até perder o controle da própria vida.

Por isso o surgimento de grupos de apoio tão necessários, como os grupos dos alcoólatras, psicóticos, drogaditos, filhos com síndrome de Down, etc…numa tentativa de ajudar rapidamente à família a adaptar-se a essa nova realidade, quando atinge algum membro da família.

No fundo, nossa capacidade de viver a realidade, é defasada, pois acreditamos que nosso dia, uma vez começado, terminará como planejamos. Os contratempos estão excluídos, o inesperado está fora do nosso cotidiano e de certa maneira nos sentimos onipotentes em relação àquilo que queremos realizar.

Entender a própria finitude e limitação, já é um passo na construção dessa maturidade e na futura aceitação do “fator surpresa”.

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