Morbidez

 

A morbidez, anteriormente, “recatada”, encoberta, hoje escancarada, já faz parte do cotidiano, onde é vista de maneira corriqueira e natural.
Artigos escabrosos, restritos anteriormente a jornais de baixa repercussão, hoje despontam com uma variedade imensa e alardeiam nossa mente já propensa a ater-se à escândalos, miséria, terror, violência e sofrimento.

Assusta, mais ainda, o fato de todo esse teor ser mantido e alimentado principalmente pela mídia, que valoriza e promove a “fama” daquele que usurpa, violenta e ultraja toda e qualquer manifestação de civilidade e honradez.

É o traficante que aparece em capa de revista e em outdoors, o que ganha sucesso e fama. São as entrevistas com assassinos, “maníacos do parque”, etc…que têm destaques na imprensa, que aumentam a curiosidade das pessoas, mas também produzindo horror, angústia, agonia, abatimento e depressão, naquele que, estarrecido, recebe o bombardeio dessas notícias alarmantes e intermináveis.

Imprensa essa, que nem sequer percebe o quanto ela é diretamente responsável por introduzir na mente o mau e o trágico.

Morbidez alimentada sim, a cada dia, onde a escória é enaltecida nas páginas e onde os campeões de audiência são os “cidadãos” longe de possuírem qualquer dignidade e amor pelo ser humano.

Atente para o fato de que aquele que se destaca em alguma grande causa, possivelmente não terá seu feito tão alardeado pela mídia como aquele que se evidencia no ato bárbaro e dantesco.

Males de um século acumulado de violência, desrespeito, desperdício, cujo mundo encontra-se virado, violentado, trocado em seus valores de certo e errado.

Atiçados por essa morbidez, o ser humano caminha freneticamente, sem dar-se conta de que o que chama sua atenção, tem de conter sua dose de atrocidade. A imprensa por sua vez também caminha fomentando e fortalecendo esse viés triste de nossa “doença”.
Quanto mais doente, maior o interesse, maior o destaque.

Adoecemos juntos, sem perceber a manipulação constante desse complô maligno abocanhando nossa mente frágil. Mente essa que já se tornou embrutecida, anestesiada, insensível e dentro dessa insensibilidade, busca então novos horrores, novas tragédias, novas “sensações”.

Um ciclo vicioso trazendo então… insensibilidades, novas tragédias,… novas buscas pelo desumano… mais insensibilidade… mais buscas… mais morbidez.


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