Ciúmes: Irmão maior x Irmão menor

ciume

Irmão maior:”Quem é este que está no colo de minha mãe?

É notório que muitos irmãos são verdadeiros amigos, ao passo que alguns, se não são declarados, são camufladamente “inimigos”, ou pelo menos adversários. O ciúme entre o irmão mais velho e o irmão mais novo pode chegar a extremos. Precisamos estar atentos e tomar cuidado com nossa atitude como pais. A comparação é uma das atitudes que devemos evitar. Portanto, avalie qual tem sido seu comportamento em relação à comparação, e esteja pronto para mudar!

Quando pensamos sobre o comportamento entre irmãos, como: ciúme, inveja, rivalidade, competição, etc. , pensamos sempre como comportamentos anormais e negativos. O ciúme, é visto como algo totalmente condenável e proibido entre irmãos, principalmente, em relação ao irmão mais velho, quando nasce o segundo filho.

Muitos pais chegam mesmo a dizer ao filho, que o ciúme é feio, que não deve nunca existir em relação ao irmãozinho e que esse irmãozinho veio para brincar com ele, ser seu amigo e companheiro nas brincadeiras. Isso é verdade, mas existe também uma outra verdade que nunca dizemos, mas sabemos. Esse irmão veio para dividir com ele o amor da mãe, do pai, dividir a casa, às vezes o quarto, os brinquedos, a atenção dos parentes, etc.
A criança percebe essa verdade, no momento em que a mãe chega da maternidade com o bebê no colo. O colo já começa a ser dividido desde então. O ciúme nesse caso, é esperado e, portanto, normal. O anormal seria que esse irmão mais velho não sentisse rivalidade nenhuma por esse bebê que chega e o tratasse amigavelmente. Caso isso acontecesse, poderíamos dizer que essa atitude seria estranha e preocupante porque não faz parte da índole da criança, e que obviamente, ela deveria demonstrar esse ciúme alguns momentos.

Tanto o ciúme quanto a inveja, quando intensos, são fonte de grande ansiedade. O ciúme na criança, quando não é muito forte, é característica normal da persona1idade. Envolve rivalidade sadia e quando surge no relacionamento com irmãos, é um treino preparatório da fase competitiva, que mais tarde ela precisará enfrentar no ambiente social e profissional.
As manifestações mais comuns do ciúme são a hostilidade e o ódio. A hostilidade pode oscilar entre leves manifestações de implicância e pequenas agressões até uma completa intolerância para suportar a presença do irmão; onde o desejo é o de “eliminar” o objeto odiado.
O ciúme pode, também, se manifestar de maneira indireta:a criança experimenta ansiedades, dirigindo sua hostilidade abertamente contra o irmão. Pode voltá-la contra si mesma, ou contra o ambiente.
Pode haver também uma regressão: manha, revolta, agressão contra os pais, inapetência (falta de apetite), fracasso nos estudos ou recusa em crescer (independência). Quando essa fase se estende muito, pode ameaçar o equilíbrio da personalidade infantil, levando a distúrbios, como: sinais de ambivalência e indecisão, dificuldade em tarefas que exijam capacidade de abstração ou chegar a conclusões com clareza.Como característica do comportamento desse irmão ciumento, pode surgir o oposicionismo que é dirigido contra os pais. Por exemplo: os pais gostariam que ele fosse bom aluno, fosse disciplinado, etc. e a criança reage ao contrário, opondo-se a essa expectativa e assim atraindo a atenção tão desejada dos pais.

Existem também os mecanismos passivos: a criança interioriza sua hostilidade, mas é vítima de maior carga ansiosa. Aparecem os tiques nervosos, a fala “tate-bi-tate” (em idade em que a linguagem já tenha sido estabilizada e a criança já venha se expressando com facilidade). Volta a molhar a cama ou querer que lhe dê comida na boca.

Outra forma passiva, é quando a criança fica apática, apagada, preguiçosa, sem entusiasmo. Pode bloquear-se afetivamente, sufocando junto com a inveja e o ciúme, o amor. Deixa de ter reações amorosas com familiares e irmãos. Desde que a afetividade e a inteligência estão intimamente ligadas e interdependentes, a produção e o rendimento dessa criança costuma ser precário.

Outro mecanismo passivo, é a própria desvalorização. A criança acha-se inferior e, portanto, se anula. Essa atitude determina reações depressivas que são autodestrutivas. Deve-se, nesse momento, canalizar essa agressividade adequadamente, valorizando seus sucessos numa escolinha de natação, ou outra atividade qualquer onde a criança se destaque com desenvoltura. Ela deve ser estimulada a fazer novas amizades e a freqüentar outros lugares diferentes daqueles do irmão. As comparações, obviamente, devem ser evitadas. Inevitavelmente, elas ocorrerão, mas espera-se, vindas de fora.Dizer que um dos irmãos é mais inteligente, mais carinhoso, etc., não servirá de estimulo ao outro irmão; muito pelo contrário, só fará com que ele se sinta humilhado e inferiorizado. Mais tarde, é provável que se torne num adulto que se julgue pouco inteligente ou pouco afetuoso, bloqueando-se nessas áreas; o que não é incomum. Com freqüência encontramos adultos ou adolescentes que se julgam feios, incapazes ou pouco criativos porque sempre foram comparados ao irmão. Comparações desse tipo minam traços do caráter da criança e podam seu desenvolvimento.

Outra situação de rivalidade pode surgir, quando um filho é mais rebelde do que o outro. O rebelde é sempre alvo de maior controle em relação a estudo, tipos de brincadeiras e raramente é deixado sozinho por muito tempo. O outro filho sente-se rejeitado e pouco importante. O filho que não dá trabalho, que é responsável, que é dócil, deve receber a mesma atenção cuidadosa, com tempo especial também para conversas e brincadeiras.

Não quero dizer que o ciúme e a inveja precisem ser apagados e impossibilitados de aparecerem. Em diferentes situações eles aparecerão, mas bem solucionados não trarão conseqüências desastrosas como as acima.

Como podem ser bem solucionadas?
Uma solução, está no que se refere às personalidades dos filhos.

Os pais devem identificar e realçar as características positivas de cada um.

As habilidades e talentos devem ser sempre valorizados e nunca comparados.

Quando um dos filhos é mais carinhoso, mais amoroso com os pais, geralmente os conquista com mais facilidade. Os pais se “derramam” na resposta desse afeto e tendem a comparar tal procedimento com a frieza e distância do outro filho. Essa característica, quando é observada por familiares e amigos, em vez de estimular essa afetividade, só ajuda a reprimi-la.

Lembre-se que, a habilidade e o equilíbrio de elogios e estímulos, é uma excelente alavanca para fortalecer e ajudar os filhos a suportarem suas diferenças.

Artigo publicado originalmente na revista Casal Feliz (Ano XII – no.46)

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Veja, também, este artigo:

O que fazer para que o filho mais velho não morra de ciúme do irmãozinho?

7 opiniões sobre “Ciúmes: Irmão maior x Irmão menor

  1. Achei muito bacana e concordo plenamente, mas deveria colocar as atitudes que pais deveriam tomar.

  2. Está ótimo o artigo. Não se pode dar respostas prontas de como os pais agirem, pois cada criança é um mundo e não vem com manual

  3. Obs.: Estamos publicando diretamente aqui, pois a resposta enviada por e-mail retornou com erro de endereço
    Em 1o. lugar gostaria de elogiá-la pelo lindo trabalho que a senhora faz neste site. Parabéns!!! E, também, agradecer, pois através do seu site, venho buscando sempre me orientar e tirar muitas dúvidas sobre comportamento infantil. Venho, mais uma vez, pedir-lhe uma orientação.
    Tenhos dois filhos. Um de 04 anos e outro de 01 ano e 04 meses. Meu filho de 04 anos, entrou em uma fase muito dificil. Ciúmes do irmão mais novo.
    Não me obedece, não me esculta. Não deixa eu fazer nada para ele, pois diz que sabe fazer tudo sozinho. Regrediu muito, de dois meses para cá. Está dando muito trabalho na aula de natação. Está muito ansioso, corre unha o tempo todo. O que faço, dra? Não sabe esperar nada. Quer as coisas do jeito dele e na hora dele. Estou desesperada, pois não estou sabendo lidar com essas coisas. Ele está fazendo fonoaudiologia, para melhorar a fala. Até dois anos e e meio ele falava de tudo e muito bem, mas agora só fala igual um bebê. E mesmo na sessão de fono, ele está esnobando a médica, ignorando o que ela diz. Chora por tudo. Não quer fazer nada do jeito correto. Quer chamar a atenção, o tempo todo. Na verdade, eu sei, que depois que o irmãozinho dele nasceu, eu tive que deixá-lo um pouco de lado. Mas, me esforço muito para dar atenção para ele. No período da manhã, fico mais com ele do que com o bebê. Dedico-me a ajudá-lo com as tarefas da escolinha, pois estuda à tarde. Faço com ele os exercícios da fono. E vou para natação com ele 03 vezes na semana. Ou seja, nesse período fico por conta dele. Quando volta da escolinha, sempre converso um pouco com ele. Pergunto como foi a aula, se gostou e o que ele fez. Sei que devo está errando em alguma coisa, mas não sei onde. Preciso de ajuda. Isso está me deixando muito triste. Converso muito com ele. Ele promete que não vai mais fazer essas coisas feias, mas um minuto depois é como se vou desse corda. O que devo fazer para que meu filho, volte ser aquela criança adorável que todo muito gostava. Eu amo meus filhos! Ser mãe foi uma escolha de vida. Sou mãe tempo integral. Bjs!

    Desde já agradeço pelo espaço.
    Daiane BSB/DF

  4. Marilena responde:
    Dividir sua atenção com cada um separadamente é o ideal.
    Como você mesma percebe, ele se ressente da falta de atenção exclusiva.
    Cuidar dos deveres, etc… não é exatamente uma forma de dar a atenção que ele quer. Ele precisa brincar com você.
    Quando você fala da aula de natação, que você fica com ele, não é exatamente COM ele que você fica nesse momento; apenas o acompanha e o espera.
    As tarefas e atividades nessa idade devem ser moderadas. Tudo em excesso é uma sobrecarga para a criança e muitas vezes ela não dá conta além das tarefas da escola. Ele ainda tem a natação 3 vezes na semana e mais a fono. Talvez isso seja muito para ele.
    Parece que o mais importante agora, seria quem sabe, você substituir o tempo da natação por um tempo exclusivo com ele.
    A sua companhia, no momento, é muito mais importante que qualquer atividade que ele faça.
    Tanto é assim, que apesar da natação, etc… ele anda ansioso e roendo as unhas (sintoma de ansiedade)
    Substitua por um tempo a natação, por tempo de brincadeira somente com ele.
    Seu filho, mais do sua companhia para ajudá-lo nas tarefas da escola, precisa brincar com você.
    Crianças nessa idade ainda precisam brincar muito e muitas vezes a cobrança e exigência dos “deveres” e responsabilidades sobrecarregam a criança.
    Ele poderá bem mais tarde, recomeçar qualquer atividade física, mas no momento parece que o que ele mais precisa é de estar com você.

  5. Obs.: Estamos publicando diretamente aqui, pois a resposta enviada por e-mail retornou com erro de endereço.
    Gostaria que me pudesse ajudar, pois o meu filho tem 7 anos e tem muitos ciúmes das crianças mais pequenas. Se a minha sobrinha brinca com um carro dele ele tirá-o e depois largá-o neste momento. Também, tem muito medo de ficar em casa só está bem a prontar falo com ele mas não adianta não sabe nem consegue brincar com os mais pequenos faz caretas, grita para eles e estou constantemente a ouvir comentários de que eu não sei educá-lo que ele é malcriado enfim sinto-me desesperada, desprotegida. Quero ajudar o meu filho mas sinceramente não sei como. Sou mãe e sofro também com os comentários que fazem ao meu filho e a mim Na escola não se concentra não acaba as tarefas que lhe são pedidas para dormir bate com a cabeça na almofada. Por favor ajude-me.

  6. Marilena responde:
    Antes de pensar em algo de fundo emocional é importante que você verifique todo o lado físico de seu filho.

    Se ele é muito agitado, não se concentra, é agitado, etc… converse na escola para saber exatamente a opinião da professora e verificar se ele não é hiperativo.

    Verifique se ele pára em algum momento para ver TV ou passa um bom tempo brincando com alguma coisa.
    É normal que, nessa idade, ele seja bem ativo, mas não conseguir terminar tarefas pode ser um dado significativo.

    Quanto ao cíúme de outras crianças, talvez, ele, por sua atividade ou hiperatividade, não tenha paciência com elas.

    É importante que você verifique tudo isso antes e só depois pode-se pensar no lado psicológico.
    Converse com o pediatra primeiro e professora e veja a opinião e orientação dos dois.

  7. 14/09/2010 Comentário recebido:
    Gostaria que me ajudasse por favor, eu tenho dois filhos um de 7 anos e um de 5 anos, eles são mto amigos vivem juntos brincam juntos não se desgrudam mas o problema é que o mais velho esta esquecendo de viver a vida dele e vive em função do irmão, ele so faz as coisas se o irmão fazer, por exemplo eu falo pra ele filho vai escovar os dentes em vez de ele ir ele fica esperando o irmão se ele for ele vai tbem senão ele acaba não escovando pq o irmão não foi, outro ex: se a vo ou a tia ou alguem o convida pra sair ele só vai se o irmão for junto e o outro ja não ele é mais independente não fica esperando pelo outro. Ja conversei muito com o mais velho sobre isto mas não to conseguindo faze-lo entender que ele tem a vida dele propria e não pode ficar esperando pelo irmão, por favor tem alguma coisa que eu possa fazer para ajuda-lo pois sei que isto vai ser ruim pra ele quando ele ficar mais velho. Por favor se puder me responder eu agradeço.

    Marilena responde:
    A alternativa seria investir em amigos ou colegas do seu filho mais velho para que possam passar uma tarde com ele brincando, etc…
    Tente descubrir quais amigos são mais próximos dele e vá alternando no convite de fazê-los passar algum tempo junto.
    As brincadeiras, seguramente, serão diferentes das do irmão menor e somente eles poderão participar.
    A cada semana vá alternando ou caso ele queira, vá convidando sempre o mesmo amigo.
    Ele se sentirá mais independente e amigos mais exclusivos.
    Separe, também, atividades para que somente faça explicando que somente ele poderá fazê-las já que e mais velho. Valorize o que ele já pode fazer e invista nisso.

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