Solidão

Nunca tivemos tanta facilidade de comunicação e ao mesmo tempo tanto isolamento como temos hoje. Se a internet nos permite uma rápida ligação com as pessoas e nos favorece tanto a amplitude nos contatos, por que será que as pessoas se sentem cada vez mais isoladas?

As salas de “bate papo” na internet são exatamente um atrativo para as pessoas solitárias, sempre em busca de alguém com quem se possa gastar tempo, sem comprometer a privacidade de cada um.

Por que esse tipo de contato é tão procurado? É uma maneira de envolver-se parcialmente, de esconder-se.
É uma alternativa de um contato sem compromisso, uma falsa aproximação, onde faço apenas um contato superficial, sem envolvimento real.

São vários os fatores que parecem empurrar uma pessoa em direção aos relacionamentos “internéticos”, indicando que talvez esse comportamento não seja uma escolha, mas sim uma imposição.

  • Um dos fatores é o medo. O contato direto tornou-se perigoso. Quem é a pessoa que se aproxima e com que intenção? Como disse uma senhora de alta posição social e financeira: “Não tenho amigos porque sei que as pessoas se aproximam por interesse. Em algum momento sei que vão pedir alguma coisa. Já vi isso inúmeras vezes e sempre pode acontecer de novo.
  • Um segundo fator é a competição nos vários setores.
    O outro é aquele que compete comigo no trabalho, no curso, na própria família, no sexo. O outro, ou outra pode chamar mais a atenção do que eu. Assim, é preciso manter a distância e a privacidade.

O afastamento um dos outros, na verdade foi um processo bem lento. Nas cidades do interior, por exemplo, antes da TV, as pessoas levavam as cadeiras para as calçadas à noite, e ali ficavam conversando com os que passavam. Com o surgimento da TV, as pessoas começaram a se recolher, absortas com as programações, e automaticamente mergulhando nesse afastamento sem perceberem.

Outro ponto é decorrente também da competição que se estabeleceu: a necessidade da informação. Essa necessidade “encurtou” nosso tempo, pois minha competência ancora-se no meu preparo, no meu saber. Esse preparo é passado aos filhos, que também correm atrás do tempo.
Portanto, corremos com eles e por eles.

A falta de tempo hospedou-se na vida de cada um de tal forma que a convivência tornou-se raridade e o isolamento estabeleceu-se de uma forma inflexível e até irreversível.

Sem perceber, o ser humano adoeceu no isolamento, mas nem por isso mudou internamente. Continua carente de convívio e de relacionamentos profundos.

Ter amigos e conviver profundamente é receita terapêutica para nossa saúde emocional.

Você ainda acha que a solidão é uma escolha?

7 opiniões sobre “Solidão

  1. Observação: Publicamos diretamente aqui, pois a resposta para o e-mail indicado retornou por erro no endereço.

    desculpe-me! esse artigo me fez chorar. tenho 20 anos; sou mãe. engravidei solteira e me casei por esse motivo (nós dois nos amamos, mas sei que não era a hora certa(vivo com meu esposo e suas duas filhas do primeiro casamento: uma tem a minha idade e a outra é dois anos mais nova do que eu.) eu tenho sofrido muito por ciumes ( da ex esposa) mesmo eles estando a 10 anos separados; o divorcio saiu agora; sei que ele a amou muito quando jovem, mas agora tem abobinação por ela. sabe, eu sou professora e dei a luz a um menino lindo, cheio de saúde no início; mas agora, aos dois anos e dez meses, ele é muito estranho: gosta de assistir tv; rí sozinho; quando pergunto algo como vc quer água? ele finge que não entende; ele sabe brinar com jogos pedagógicos, mas não sabe falar uma palavra ainda; eu não sabia como tratá-lo e o criei como um bebe, carregando-o no colo e dando a mamadeira sem deixá-lo segurá-la. queria tanto proteger ele de tudo…. queria tanto que ele não sofresse… ele está na escolinha, mas ele não brinca com as outras crianças; morde e empurra aquela que chegam perto dele. sei que é culpa minha ele estar agindo assim, mas a culpa é de quem se eu não sei cuidar de meu filho? sinto tanta saudades do meu quarto, da minha mãe… do meu sono; dos meus sonhos… ando tomando antidepressivos após o parto, pois fiquei muito mal após o nascimento do meu filho: ele pesava 4 quilos e foi parto normal (tomei peridural e não senti muita dor na hora, mas ate 15 dias depois eu sentia muita dor…) meu marido é maravilhoso, mas ele acha que eu sou como uma mulher de 30 anos, mas não sou… será que meu filho tem problema mental (a pediatra diz que não é necessário eu preocupar com o que está acontecendo; que eu preciso apenas conversar maois com ele e dar mais atenção não tratando-o como a um bebe… estou com tanto medo, não quero que meu filho seja uma criança especial; mas não consigo parar de pensar nisso… eu queria que nunca eu tivesse existido…

  2. Marilena responde:
    O pediatra está certo: não se preocupe com seu filho, pois ele só precisa de incentivo para acelerar o vocabulário.
    Comece a contar estórias para ele com livrinhos bem coloridos e vá dizendo os nomes das coisas e peça para ele repetir. Repita a mesma estória, no inicio, várias vezes. Crianças gostam de coisas repetitivas e, portanto, não se preocupe com essa repetição. Depois de muito ouvir ele já saberá de cor a estória e você poderá ir apontando para as coisas e perguntando a ele: “o que é isso, etc…”
    Essa é uma maneira de incentivar o vocabulário. Lembrando que cada criança tem seu desenvolvimento próprio e isso varia entre elas.
    Quando você fala que na escola ele não gosta de outras crianças, isso também é perfeitamente normal, pois a socialização só começa A PARTIR dos 2 anos. Também, variando entre as crianças; cada uma no seu tempo.
    Ele demonstra que ainda precisa e prefere ficar a seu lado, pois somente com a socialização é que a criança começa a fazer a substituição da mãe pelos amiguinhos e assim por diante; entendendo que essa “substituição” e a passagem do “colo” da mãe para o convívio com amiguinhos, mas não quer dizer que não procurará ou não precisará mais da mãe. Nessa primeira infância ele irá precisar e muito de você. Enquanto, ele estiver rejeitando os amiguinhos, significa que ele ainda precisa de você e que essa socialização está no embrião do processo.
    Portanto, nada de grandes preocupações.
    Apenas observe e tenha mais paciencia.
    Deixe-o um pouco mais solto, tentando fazer as coisas sozinhos e incentive-o a fazê-lo; como por exemplo, fechar uma porta, levar alguma coisa para você (tarefas que você sabe que ele pode fazer) e elogie bastante quando ele terminar; batendo palmas, abraçando e beijando seu filho.
    Quanto à sua depressão, é esperado que você, mãe tão cedo, tenha se sentido insegura quanto a ser mãe…. Mas, à medida que você começar a perceber que seu filho está bem, você também se sentirá mais segura e mais confiante. É, apenas, uma questão de tempo para você.
    Não desamine!
    Sempre que você tiver alguma dúvida, pode entrar em contato e escrever. O objetivo deste Blog é poder ajudar as pessoas que têm dúvidas e eu estou aqui com esse objetivo. Fique à vontade para fazê-lo sempre que precisar.
    Abraço

  3. Obs.: Estamos Publicando diretamente aqui, pois a resposta dada por e-mail retornou por erro no endereço.

    Muito obrigada por me responder…. Sinto-me muito angustiada e sei que a culpa não é minha (pelo menos não toda a culpa) por tudo o que vem se passando com o meu filho. Bem, eu acredito em tudo que vc disse e estou seguindo seus conselhos e ele está melhorando, eu acredito; ainda não está falando, mas já sabe jogar a fralda no lixeiro e no primeiro dia tive que pegar na mão dele, mas agora ele vai só, quando eu falo: joga a fralda para mamãe ele já começa a chorar pois sabe que é de responsabilidade dele e ele sempre foi acostumado a ter tudo feito por mim; mas vai bonitinho e joga… quanto a escolinha, eu fico lá com ele o tempo todo (pedi essa condição aos diretores, pois nunca tive coragem de deixá-lo só por medo de acontecer alguma coisa). Na maior parte do tempo ele não me vê, pois observo na sala de espera onde existe uma câmara de vídeo e eu posso vê-lo o tempo todo. Apenas na hora da alimentação é que eu fico com ele, ou na hora em que ele chora muito (exemplo, quando eu sei que ele quer alguma coisa – como a chupeta – mas não consegue falar e chora frustrado) ai eu entro na sala e ele me abraça, eu conforto-o e ele logo volta a brincar. Ele já gosta e brincar de pega-pega, na piscina (sempre olha para os coleguinhas dentro dapiscina, como pedindo para brincar de pegador, mas como as crianças da turma dele já estão bem avançadas ele acaba ficando só, mas parece estar feliz). Bem… Quanto a mim; sinto muita solidão e não consigo conversar com ninguém sobre isso (principalmente com meu esposo), mas estou muito feliz de receber essa resposta sua. Achei legal esse site, pois além da ajuda para mim, ajuda também outras pessoas. Eu amo minha vida, meu esposo, meu filho; mas sei que estou doente. Nem mesmo para o piscólogo eu consigo contar o que eu sinto. Eu nunca mais voltei a ter o corpo que eu tinha, sempre acho que estou gorda (peso 50 kg e tenho 1 m e 48 cm), mas não sou tão gorda. Às vezes, eu vomito, mas sei que não é certo, mas o vômito sai. Uma vez a cada duas semanas. Nunca consigo comer uma refeição toda. Nunca consigo almoçar e jantar no mesmo dia, pois a comida parece que incha no meu estomago, eu realmente não consigo me alimentar direito e passo muitas horas acordada; não durmo o dia todo, trabalho meio periodo, vou dormir às 22;00 hs e ainda preciso tomar dramim para poder pegar no sono. Ainda assim acordo umas dez vezes durante a noite para ver se meu bebê esta bem. Estou muito cansada e sei que tudo isso irá passar…. No mais, eu estou normal e peço ajuda para que tudo fique bem na minha vida. Acho que as pessoas não escolhem ter tristezas; apenas acontece. Sou de família tradicional, sempre fui bem educada, muito estudiosa, o orgulho dos pais.

  4. Marilena responde:
    Parece que a “chave” para seu comportamento atual, está no que coloca no final do seu relato. Você é o orgulho dos pais, sempre estudiosa, parecendo que foi a filha “perfeita”, etc…
    Digo parece, pois não sei, exatamente, de todos os detalhes, mas, geralmente, quando filhos se sentem na obrigação de fazerem tudo certinho, quando isso não acontece, eles ficam meio perdidos e se cobram muito.

    Parece que você é uma pessoa assim, se cobrando muito, não podendo nem ter falhas. A falha significa uma decepção e até contar essas falhas para um profissional, fica dificil.
    Você se cobra do seu comportamento em relação à maternidade, como consequência procura dar tudo na mão para seu filho, se cobra de seu peso que não é perfeito, ou não está no ideal e assim por diante.

    Quem sabe vc poderia começar a pensar em se ajudar um pouco buscando uma terapia. Sem dúvida só faria bem à você. Pense sobre isso!

  5. Obs.: Estamos publicando diretamente aqui, pois a resposta por e-mail retornou por erro no endereço.
    PARABÉNS PELOS ARTIGOS, SÃO BONS MESMO.
    VOU APROVEITAR E FAZER UMA PERGUNTA QUE HÁ TEMPOS VEM ASSOMBRANDO EU E MINHA ESPOSA. “TEMOS DOIS MENINOS SAUDÁVEIS E LINDOS, SÃO ENCANTADORES; UM TEM TRÊS ANOS E O OUTRO SEIS. O QUE ACONTECE É QUE NOSSO TRABALHO EXIGE MUITAS VIAGENS; PASSAMOS MAIOR PARTE DA SEMANA DENTRO DO CARRO. OPTAMOS POR NÃO DEIXÁ-LOS COM PARENTES OU BABÁS E SEMPRE LEVÁVAMOS OS MENINOS CONOSCO; FAZÍAMOS COMO SE FOSSEM FÉRIAS. O MAIS VELHO SEMPRE ADOROU ESSA VIDA E FALOU BEM CEDO E DEMONSTROU UMA INTELIGENCIA ATÉ ACIMA DO NORMAL; EMBORA TENHA DIFICULDADE DE SOCIALIZAR ATÉ HOJE E É BEM CALADO. JÁ O MAIS NOVINHO NÃO ESTÁ FALANDO NADA AINDA E PARECE NÃO ENTENDER QUANDO FALAMOS COM ELE; VIRA O ROSTO OU TENTA MORDER SE OUTRA CRIANÇA APROXIMA DELE. COMEÇAMOS A PERCEBER QUE ELE NÃO ESTAVA TENDO O MESMO DESENPENHO DO IRMÃO QUANDO NA MESMA IDADE, QUANDO ELE COMPLETOU DOIS ANOS (PRINCIPALMENTE NO VOCABULÁRIO). PENSAMOS SE ESSE TEMPO QUE PASSAMOS DENTRO DO CARRO ( NAS VIAGENS COLOCAMOS MÚSICAS; TANTO ADULTAS QUANTO INFANTINS; PARAMOS A CADA TRÊS HORAS PARA IR AO BANHEIRO OU LANCHAR, MAS É IMPOSSÍVEL FICAR CONVERSANDO O TEMPO TODO COM ELES E ACABA QUE ELES FICAM SEM MUITO DIÁLOGO) RETARDOU ESSE APRENDIZADO. BOM, PARAMOS COM AS VIAGENS E MATRICULAMOS ELE NA ESCOLINHA DESDE O INÍCIO DESTE ANO. NO COMEÇO ELE CHOROU MUITO, NÃO REVIDAVA AOS TAPAS E MORDIDAS, NÃO ACEITAVA QUE NENHUMA CRIANÇA CHEGASSE PERTO; MAS AGORA ELE GOSTA DA ESCOLA, EMBORA AINDA NÃO CONSIGA FALAR NADA, PARECE ESTAR COMEÇANDO A ENTEDER O QUE FALAMOS; JÁ SABE ALGUNS JOGOS PEDÁGOGICOS, COMO QUEBRA CABEÇAS COM TRÊS PARTE E FORMAS, MAS AINDA CHORA MUITO QUANDO LHE É DADO QUALQUER ATIVIDADE QUE EXIJA ESFORÇO DA PARTE DELE. BOM ACHAMOS QUE ELE FICOU MUITO SOLITÁRIO DURANTE DOIS LONGOS ANOS PARA ELE, MAS AGORA ESTAMOS TENTANDO REPARAR ISSO. MINHA ESPOSA ANDA BASTANTE DEPRIMIDA, SE SENTINDO CULPADA POR ISSO, MAS NUNCA IMAGINARÍAMOS QUE ISSO FARIA MAL A ELE, UMA VEZ QUE NÃO PREJUDICOU O IRMÃO. ELES VÃO REGURLAMENTE AO PEDIATRA E SÃO SUDÁVEIS E ELASUGERIU A MINHA ESPOSA QUE ELE APENAS PRECISA SER MAIS INSENTIVADO, MOTIVADO, QUE APRENDA A SOCIALIZAR-SE COM OUTRAS CRIANÇAS, MAS DISSE QUE NÃO HÁ MOTIVO PARA MAIORES PREOCUPAÇÃO, QUE ELE TERÁ O TEMPO DELE. ESPERO QUE ESTEJAMOS FAZENDO A COISA CERTA DESSA VEZ………..COM FILHOS NÃO SE BRINCA; QUANDO A BRINCADEIRA É A SAÚDE MENTAL DELES.

  6. Marilena responde:
    A socialização só começa a partir dos 2 anos e isso varia muito entre crianças.

    Como ele passou boa parte nessas viagens, o contato também deve ter ficado reduzido e isso alterou o nível da socialização. Daí a tentativa de morder outras crianças, etc…. pois, isso, só demonstra que ele não está pronto ou não estava pronto para esse contato.

    O pediatra está certo quando diz que isso acontecerá no tempo dele. Quando o convívio entre ciranças se intensificar, no tempo dele, ele irá naturalmente interagir com outras crianças.

    No momento, apenas deixe que ele ande no ritmo dele e isso acontecerá aos poucos, sem pressa

  7. Escrevo textos sobre este assunto há um tempo. Ele, de fato, me assusta. Tenho 16 anos e já aprendi, já absorvi esta mentalidade. As pessoas, principalmente, os jovens estão sim, cada vez mais se isolando do mundo lá fora. Se ficam em casa é para se conectarem com o mundo. Mundo este “imaginário”, talvez.
    Eles procuram amigos que tenham o mesmo desejos que eles. É como uma amizade escolhida. Onde selecionamos as pessoas com quem queremos conversar, ser “amigos”. Isso me deixa triste.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s