Sexo X Conteúdo

A ponta do iceberg

A ponta do iceberg

A moda do “ficar” e dos relacionamentos superficiais e efêmeros, ao contrário do que se imagina, não é a melhor opção para a satisfação do ser humano.

Trata-se de uma frustração aprendida a “duras penas” e com muito sofrimento.

Muitos autores cristãos denunciam que começar o relacionamento pelo sexo, é começar pela porta errada.

A porta certa de uma relação que tenciona ser consistente e benéfica, teria que começar pela porta da amizade, da conversa, do conhecer-se melhor e o sexo seria sua última etapa.

Olhando dessa maneira e encarando nosso século atual, isso parece piegas e é claro, totalmente ultrapassado. Seria, então, a forma mais moderna que vivemos; pouco conhecimento do outro e rápida entrada pela porta do sexo, a melhor e mais prazerosa forma de relacionamento? Seria esse o formato mais adequado e melhor para todos? Pois, parece que não.

Começa-se pelo sexo e depois de rápido entrosamento e pouco convívio, entra-se na chamada relação a dois, com a tentativa de aí sim, conhecer o conteúdo desse parceiro que já se conhece sexualmente.

E ….Surpresa! … começa a descoberta da personalidade do outro, das esquisitices do outro e da dura convivência que nem sequer se poderia supor. Etapa difícil essa, onde com o passar do tempo, esse parceiro que só trazia prazer, passa a trazer desprazer. Desprazer no confronto de opiniões, nos gostos, nos desejos, etc..etc…

Rapidamente termina-se a relação, pois há o despreparo e a falta de persistência para o aprofundamento nessa relação. Como há inúmeras “portas abertas” a serem visitadas e com tanta facilidade no encontro delas, não há lugar para a persistência do reencontro, que se torna obsoleto e indesejável.

Passa-se então ao próximo relacionamento, onde a repetição é constante e onde o término é inevitável e novamente outro relacionamento e assim por diante.

Frustrações acumuladas onde o deslumbramento do início da relação acaba, onde o prazer do sexo, que antes encobria as características do parceiro, agora se mistura às diferentes facetas de caráter. Começa a difícil tarefa do aprendizado do conteúdo. Começa o confronto da realidade.
Infelizmente, esse século caracterizado pela pressa, embrenhou-se também dos relacionamentos onde as pessoas, capturadas pela rede do fácil, do sem compromisso e do descartável, encontram-se de repente, surpresas ao descobrir tão cedo, a frustração, a mágoa, o sentimento da rejeição e muitas vezes a sensação de ter sido explorado e usado.

São pessoas que, na sua maioria por serem extremamente jovens e despreparadas emocionalmente, saem desses relacionamentos machucados, sofridos e levando para os próximos parceiros temores, desacertos, e obstáculos tremendos na relação que deveria ser leve e desarmada.
São jovens que chegam aos 30 anos, já profundamente incapazes de se relacionarem novamente de uma maneira mais sincera e comprometida; apesar de quererem. E como querem!

Incapazes de acreditarem no outro, já vencidos pelas inúmeras vezes que percorreram sempre o mesmo caminho do desencontro, têm sua habilidade de relacionamento podada pela dificuldade de lidar com o difícil e o permanente (e não mais com o fácil e o descartável.)
Vítimas da pressa, atropelam-se na única realidade que de fato, irá “segurar” a relação de duas pessoas: o conteúdo.

Desconhecem que o sexo é importante parcela dentro do relacionamento mas não a única.

Jovens, vítimas do novo formato desse século. Século tão avançado em tantas descobertas e tão algoz e destruidor no que de mais precioso existe que é o relacionamento humano.

Temos jovens despreparados quanto à realidade.

Por mais difícil que seja recompor esse formato e ajudar na estruturação e construção dessa realidade de conteúdo, é preciso fazê-lo.

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente…

12 opiniões sobre “Sexo X Conteúdo

  1. Gostei muito do texto. Era o que eu precisava para trabalhar com um grupo de adolescentes da minha paróquia.
    Muito obrigado. Deus te abençoe!

  2. Achei o artigo super interessante. Apesar de ter 2 filhos ainda pequenos, quero estar preparada para orientá-los, para dialogar com eles, etc… Obrigada!

  3. É a primeira vez que leio algo sobre sexo dessa natureza e fiquei muito contente por constatar que tem outras pessoas além de mim, que veem dessa forma esse assunto que é extremamente delicado e importante.
    É constrangedor perceber como esse assunto passou a ser algo tão careta e banalizado a ponto de o indivíduo se perder em seus atos e sentimentos, que não consegue dar conta.
    Há frustrações generalizadas nesse investimento contraditório e pobre, pois busca o prazer imediato e esquecen-se de que o ser humano não é uma criatura tão simplória a ponto de merecer tão pouco como troca. O ser humano é merecedor de muito mais, pois ele é capaz de muito mais… Amar, doar, trocar, dividir, somar, multiplicar… É apenas um lembrte de como somos amplos e complexos,e por que não nos apoderarmos dessa virtudes e utilizarmos como conteúdo, e não como algo sem valor em um relacionamento sexual? Certamente o produto final “sexo x conteúdo” será muito melhor.

  4. 28/10/09 Comentário recebido:
    obs.: Estamos publicando diretamente aui, pois a resposta por e-mail retornou por erro no endereço.
    Vou ser bem clara! Tenho um filha adolescente. Tenho sido um fracasso na minha missão como mãe. Sempre trabalhei e lhe dei tudo o que ela queria. A avó ficava com ela em período integral e sempre lhe atendeu todos os caprichos. Sempre foi uma criança amável e dócil, embora hoje é uma pervertida. Já nã sei o que fazer.
    Ela tem um namorado com quem namora há algum tempo, mas ela o trai com outros homens. Já fiquei sabendo que até sexo grupal ela faz (com homens e mulheres).
    Finjo que não sei para protegê-la do pai. Ela é uma pessoa perto de mim, mas longe, é uma pervertida.

    Marilena responde:
    Talvez por ter tido tudo o que queria, ela hoje ache que consegue, também, tudo de maneira fácil a ponto de ter se tornado igualmente uma pessoa “fácil” na área sexual. Como, talvez, pelo seu relato ela não tenha tido limites, os limites hoje se tornaram imperceptíveis ou mesmo inexistentes e ela não vê nem a necessidade delas existirem.
    Só o tempo e possivelmente as consequências irão fazer com ela perceba a gravidade de “brincar” com isso.

  5. 09/11/2009 Comentário recebido:
    Obs.: Estamos publicando diretamente aqui, pois a resposta dada por e-mail retornou por erro no endereçamento.
    Meu filho é muito tímido, ele tem 13 anos. Ele acha que é muito feio, pois está com o rosto cheio de espinhas.
    Como posso mudar essa situação?

    Marilena responde:
    O melhor é sempre buscar uma ajuda na dermatologista para que ela possa ajudá-lo nessa fase.
    Depois disso, com a melhora da aparência, ele aos poucos se sentirá mais auto-suficiente e seguro.

    É uma fase que pode demorar um pouco a passar, mas é preciso paciência, pois cada adolescente passa por sua fase de auto afirmacão e com ele não será diferente.
    A autoestima é construida aos poucos e passa por etapas, não havendo como pular cada fase de autoafirmacão.

  6. Super direto. É exatamente o que acontece na nossa realidade…Adorei.

  7. Comentário recebido:
    obs: publicamos aqui para não expor, desnecessàriamente, a emissora.
    Adorei o texto e o seu conteúdo, pois eu também já me vi numa relação aos 17 anos que começou pela tal porta errada. Não deu em nada. E eu, que já era alguém sem grande amor próprio, senti-me terrívelmente rejeitada, mas ainda assim orgulhosa e pus um ponto final em tudo. Hoje com 19, tenho uma relação estável já há um ano. Esta iniciada da forma que achei correcta, mas levo, claro fantasmas deixados pela pessoa anterior que me deu uma excelente lição do que não se faz numa relação… Ele era uma pessoa fantástica, mas que feliz ou infelizmente (nunca saberei) não serviu para mim.
    Falando agora das pessoas que o fazem constantemente, direi como estilo de vida adoptado, aconselharia, de facto, a leitura deste texto, pois sexo sem compromisso degrada a consciência especialmente das mulheres que nitidamente não sabem ter relações sexuais, sem acabarem por se envolver sentimentalmente. É um grande erro…

  8. esse tema deveria ser pauta de discussão nas grandes emissoras, e com forte visibilidade!
    Afinal, o que percebo, é que adolescentes, como a minha, tentam entrar no mundo da vida contemporânea e acabam se chocando culturalmente… como um estranho no ninho… e a exclusão no grupo social, torna-se real.
    Haja terapia e cuidado!

  9. ESTAVA PROCURANDO ALGO QUE ME MOSTRASSE UM POUCO A RESPEITO DO CARÁTER DA AUTORA, PARA TER SEGURANÇA NO QUE ESTAVA LENDO. FANTÁSTICO! AMEI A SUA COLOCAÇÃO, SEU PONTO DE VISTA, SEUS VALORES…DEUS TE ABENÇOE!

  10. amei esse artigo, sou casada há quase 6 anos esperei o momento certo e não estou arrependida da minha escolha e fico feliz quando surge comentarios raros como esse.
    Parabéns!

  11. Simplesmente maravilhoso o texto sobre um assunto que atualmente vem sendo posto de lado e banalizado. Os jovens de hoje vêem aprendendo sobre a sexualidade de forma totalmente distorcido. Com isso, podemos observar tantas situação tristes ocorrendo por todos os lados. Jovens que acabam gerando filhos de relacionamentos fracassados, relacionamentos ditos “ficar”, e são dessas relações que se dão origem ao abandono infantil por maioria das vezes. Então, trata-se de um assunto bastante pertinente que por sua vez não acompanhou esse século de tal “liberdade” e “revolução tecnológica”.

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