Pânico

“Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”. (I João 4:18)

“Senti o coração disparado; uma sensação de perda de controle como se eu fosse desmaiar, morrer ou ficar louco!”. Esse é o relato que, normalmente, se ouve de alguém que passou por um ataque de pânico.

De acordo com a descrição clínica do CID-10 (Código Internacional de Doenças: F41.0), nos transtornos de pânico, “os aspectos essenciais são ataques recorrentes de ansiedade grave, os quais não estão restritos a qualquer situação ou conjunto de circunstâncias em particular e que são, portanto, imprevisíveis”.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, porém com início súbito de palpitações, dor no peito, sensações de choque, tontura, medo de morrer… Os ataques duram, usualmente, apenas alguns minutos o que resulta numa saída do indivíduo apressada de onde quer que esteja.

Se isso ocorre num ônibus ou multidão, o indivíduo pode, como conseqüência, evitar aquela situação. Um ataque de pânico é seguido com frequência por um medo persistente de ter outro ataque. Por causa dos sintomas, ele pode ser confundido com alguma doença do coração e, muitas vezes, a pessoa passa por uma série de exames sem encontrar absolutamente nada.

O transtorno do pânico é um problema sério, já que atinge de 2 a 4% da população; na maioria mulheres.

Segundo algumas teorias, o sistema de alerta do organismo (um conjunto de mecanismos físicos e mentais com que uma pessoa reage a uma ameaça) pode ser desencadeado na crise do pânico sem nenhum perigo iminente. O cérebro produz neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação entre os neurônios e essas comunicações determinam todas as nossas atividades físicas. No entanto, na crise do pânico, há um desequilíbrio na produção dos neurotransmissores, levando informações incorretas e deixando o organismo alerta para uma ameaça que, na verdade, não existe.

O primeiro acontecimento pode ser num elevador, dirigindo, num ambiente fechado, etc… Depois dessa primeira crise, surge um medo irracional (fobia) e, gradativamente, o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise pode chegar a uma proporção tal que a pessoa passa a evitar a situação que originou tal crise, como evitar a dirigir, evitar elevadores, ou mesmo sair de casa.

Há ainda um perfil semelhante entre as pessoas que sofrem desse transtorno: são perfeccionistas, exigentes consigo mesmas, muito produtivas profissionalmente, assumindo uma carga excessiva de responsabilidade, possuem uma grande necessidade de estarem no controle das coisas e grande necessidade de aprovação, não aceitando com facilidade seus erros.

Portanto, temos aqui características físicas e mentais e esses mecanismos físicos e mentais poderiam ser os fatores desencadeantes. Dessa forma, o tratamento também necessita tanto da medicação como do acompanhamento terapêutico. A combinação da psicoterapia e da medicação produz bons resultados num espaço curto de tempo, trazendo alívio entre 70 a 90% para as pessoas.

É importante observar que esse tipo de transtorno deve ser encarado com seriedade e não considerado como “fricote” ou exagero da pessoa que passa por isso. Por seriedade, consideramos que a pessoa deva ser medicada adequadamente. Palavras como: “Isso não é nada de grave…” ou “Isso passa…”, não traz benefício algum à pessoa que sofre desse transtorno. Muito pelo contrário, só aumenta sua ansiedade abrindo espaço a uma nova crise e retardando seu tratamento que deveria ser imediato.

Artigo publicado originalmente no site PapoNosso : Pânico

6 opiniões sobre “Pânico

  1. pow, o meu medo parece ser bobeira.
    Mas, sempre acontece quando alguém me conta algo que me dá medo e isso não sai da minha mente e meu coração começa a disparar não consigo ficar só em casa, pois acho que tem alguém na minha casa …
    eu não quero remedios e nem tratamentos, pois quero ser mais forte que o medo, mas queria dicas que possam me ajudar a enfrentar esse medo que me atormenta. obrigada.

  2. Marilena responde:
    Medo ou pânico só é tratado com remédios e terapia. O psiquiatra deve ser procurado.
    Geralmente, a pessoa imagina que terá forças para superar determinados comportamentos, mas isso é uma ilusão, pois não há “dicas” ou “truques” para se tratar adequamente.
    Os remédios foram feitos para isso e devem ser usados para nos ajudar em determinados momentos.
    Procure ajuda pois o medo pode gerar depressão, o que será pior ainda. Ajude-se o quanto antes.

  3. Obs.: Estamos publicando diretamente aqui, pois a resposta enviada por e-mail retornou por erro de endereço.
    Olá, foi com prazer que encontrei o seu site, atualmente estou muito mal, estou licenciada,com o diagnóstico de depressão e sindrome de pânico, trabalho no ramo da Educação, lecionando, estou muito nervosa, apesar de estar me medicando, minhas crises ocorrem no horário que tenho que sair para trabalhar, fico com palpitação, mal funcionamento do intestino, não sei o que faço , estou cansada de estar nesta vida, fiquei traumatizada com o meu trabalho,apesar disso que estou passando tenho que trabalhar, por favor quero uma resposta, desde já agradeço

  4. Marilena responde:
    Você não relata sobre o tratamento que vem fazendo com o pânico e depressão, quais remédios usa, se tem feito terapia, etc…
    Ambos, são essenciais: medicamento e terapia e caso você não faça ambos, de fato terá pouca evolução.
    Além disso, a linha terapeutica deverá “comportamental ou terapia breve”.
    Veifique tudo isso e se precisar, retorne.

  5. Medo…
    Vontade de dar um grito,
    ou calar-se para sempre
    De ficar parado, ou correr
    De não ter existido
    ou deixar de existir (morrer)
    Não há razão quando a mente não funciona
    (redundante, não?)
    Vão extinguindo-se as questões
    mesmo sem respostas
    Perde-se, neste estágio,
    a vontade de saber.
    O futuro é como o presente:
    É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
    Morreu a curiosidade
    Morreu o sabor
    Morreu o paladar
    parece que a vida está vencida
    Tenho medo de não ter mais medo.
    Queria encontrar minhas convicções…
    Deus está em um lugar firme, inabalável,
    não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
    Até porque, na verdade, confio nele
    O problema é que já não confio em mim mesmo
    Não existe equilíbrio para mentes sem governo
    A química disfarça, retarda a degradação
    mas não cura a mente completamente
    E não existem, em Deus, obrigações:
    já nos deu a vida, o que não é pouco,
    a chuva, o ar, os dias e noites
    Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
    já que seremos vencidos pelo tempo
    (este é o destino dos homens)
    e seremos ceifados num dia que não sabemos
    num instante que mira nossa vida
    e corre rápido ao nosso encontro lentamente
    (ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
    Sei lá…
    Mas não sei se quero estar aqui
    para assistir o meu fim
    Queria estar enclausurado, escondido…
    As amizades que restam vão se extinguindo
    e os que insistem na proximidade
    são os mesmos que insistirão na distância,
    o máximo de distância possível.
    A vida continua o seu ciclo
    É necessário bom senso
    não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
    Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
    Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
    Eu disse bom senso?
    Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
    nem princípios, nem razão, nem discernimento,
    nem força alguma
    Torna-se um alvo fácil
    condenável pelos que estão em são juízo
    E questionam: onde está sua fé?
    e respondo: ela estava aqui agora mesmo…
    ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim…
    o problema é que, quando a mente está sem governo
    (falo de um homem enfermo)
    é como um caminhão que perde o freio
    descendo a serra do mar…
    perde-se o contato com a fé e com tudo o que há…
    e por alguns instantes (angustiantes)
    não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão…
    ah… quem dera, quem dera…
    que a mão de Deus me sustente neste instante…
    em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos…
    porque sou, neste momento
    a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo…
    tenho medo, medo…
    medo de perder o medo
    de sair da vida pela porta de saída…
    medo de perder o medo
    de apertar o botão “Desliga”…

    http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

    .

  6. O medo é um sentimento que aprisiona o ser humano, pois ao sentir medo demonstramos nossas fragilidades. Reconhecer o medo e enfrentá-lo é o primeiro passo para reconhecer que não somos onipotentes e não precisamos nos envergonhar disso, pois humanos é o que somos. Rossana Madeira Martins-acadêmica de psicologia

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