Cuidado com as neuroses (I)

“Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em Ti.” (Isaías 26:3)

O termo neurose passou a ser muito difundido entre nós e tornou-se corriqueiro e banal. Qualquer pessoa que nos pareça um pouco “fixada” em determinadas coisas, fugindo um pouco de nossos padrões de comportamento, tornou-se uma pessoa neurótica. Assim, preocupação demais, por exemplo, tornou-se neurose.

Mas, vamos ver a demanda da vida moderna. Muitas vezes, dizemos que o trabalho é neurotizante e isso quer dizer que ele nos exige demais e que nos atropelamos para dar conta de toda essa demanda. Como a competição tornou-se acirrada e de certa forma nos oprime e nos impulsiona a estarmos sempre na frente, nossa frustração, da mesma maneira, a acompanha.

À medida que “corro atrás”, percebo que igualmente, há outros no meu trabalho que estão mais à frente e eu me frustro por não ser tão competente e continuo a correr atrás. É como uma bola de neve. Não para nunca!

Como essa situação é, praticamente, interminável e exige todo esforço e energia da pessoa, isso pode tornar-se o único alvo, onde todas as outras coisas ficam em segundo plano.

No caso da mulher, por exemplo, onde ela tem que se dividir entre casa, trabalho, etc… podemos dizer que a ansiedade a coloca num ritmo neurotizante. Não é difícil encontrarmos mulheres “casadas” com o trabalho, mas ao mesmo tempo pouco atenciosas com os demais compromissos de filhos, casa e marido. Não falamos aqui do ritmo normal de trabalho e da divisão equilibrada que muitas mulheres conseguem ter, mas, estamos falando de como isso pode tornar-se excessivo e desproporcional.

A demanda excessiva com certeza leva a mulher a um estado de ansiedade muito grande, onde responder a essas exigências é uma sobrecarga.

Em Eclesiastes 9:10, diz: “Para fazermos tudo que vier às nossas mãos, mas segundo as nossas forças”. K. Horney escreve que os sentimentos de culpa parecem exercer papel saliente no quadro aparente das neuroses. Em alguns, esses sentimentos manifestam-se aberta e abundantemente, em outros, aparecem disfarçados, porém, sua presença é indicada por conduta, atitudes e maneiras de pensar e agir.

Portanto, a cobrança é um fator que geralmente aparece como conseqüência dessa impossibilidade de fazer tudo. Mas como fugir desse processo em cadeia?

Conhecer e aceitar suas limitações é o primeiro passo.

É impossível, mesmo, fazer toda a tarefa de casa; a tarefa completa. Muita coisa será deixada de lado. É impossível atender aos filhos em todas as dificuldades ou compromissos, levando-os a todas atividades ou acompanhando-os em tudo o que gostaríamos. Fazer tudo o que gostaríamos, aliás, é impossível no mundo moderno.

No trabalho, é impossível ser o melhor e ser o mais eficiente. A idéia tortuosa da modernidade mostrando o homem como uma máquina, com mil atividades e habilidades é tremendamente fantasiosa.

O importante é reconhecer que por mais que se queira completar todas as áreas sempre haverá falhas e que todos vivem essa divisão. Não há uma super mulher e é importante fugir dessa utopia que sobrecarrega e estressa o cotidiano.

Continua em Cuidado com as neuroses – Parte 2 …

Bibliografia: ” A personalidade neurótica de nosso tempo” de Karen Horney.

Artigo publicado originalmente no site PapoNosso : Cuidado com as Neuroses

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s